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Que puta pesca...

 

Autor: marcelo filócomo

 

Olha eu aqui.

Bom primeiro deixa me apresentar e contar um pouco como vim parar nesta pescaria. Tenho amigos como todos nós. Com felicidade os tenho desde minha infância e com o passar dos anos as vertentes da vida nos levaram a caminhos diferentes profissionalmente e socialmente, mas sempre os tive no coração dentro de qualquer situação. Isto nos leva a sempre estar em contato uns com os outros contando causos e participando de jogos de pelada, servido a churrasco, nas oportunidades que a vida nos dá.

Eu sou um professor universitário da faculdade de Educação Física, atleta de handebol que apesar dos quarenta anos ainda dou trabalho para a molecada que esta investindo na área. Composição física boa e mergulhador autônomo, o que me fez pensar que, o convite que daqui a pouco lhes falarei, facilitaria minha vida nesta aventura.

As letras que seguirão, são as iniciais dos nomes das figuras deste causo. Não ousaria divulgá-los sem a autorização, mas contarei o milagre sem contar os santos, se me permitem a analogia.

O convite:

Tudo começou quando em um dos nossos encontros, meu amigão B, me convidou para uma pesca em alto mar.

- Vamos lá cara! O pessoal que está indo ta pegando muito peixe! A gente se diverte pra caralho...

Eu como péssimo pescador que sou não me empolguei muito com o convite, mas sobre se divertir pra caralho, eu gostei. Ainda gostei mais quando meu amigo começou a dar os ingredientes da pesca.

- Olha, a gente leva pelo menos dois engradados de cerveja cada um, faz churrasco e ri a noite toda, um com a palhaçada do outro. E tem mais, tem um pessoal que leva conhaque e outras bebidas...

- Legal (pensei)! E disse, então deixa comigo que o churrasco eu faço! E pode ficar sossegado que vou servir a todos igual a garçom de bar, com direito a gravata borboleta e tudo. Não sei pescar mesmo!

Disse ele.

- Pelo menos de uma varinha você vai ter que cuidar!

Respondi eu.

- Só se for de bambu!

Seguiram-se de risos gerais, pois, pescar de vara de bambu em alto mar! Só louco mesmo. Mas afinal eu estaria me comprometendo naquela hora em fazer uma loucura.

Os dias foram se passando e cada dia que eu encontrava a turma eles me cobravam do que havia prometido e me apresentavam algumas pessoas que também iriam à pescaria.

Enquanto isso eu ia me aprontando, arrumei uma gravata para ficar de garçom e combinei com o B para ele me arrumar à varinha de bambu. O pessoal não ia acreditar quando me vissem com aquilo. Bem... O negócio não era pra se divertir? Então o negócio era entrar no clima.

O encontro:

Chegou o dia! Como combinado desci até a pracinha 9 de julho, e junto com os outros dois colegas de pescaria ficamos aguardando a Topic que chegaria as 05:00h. Dos doze que iriam, três estavam ali, Eu, Tl e L.

Conversa vai, conversa vem o L começou a se queixar da demora da Topic.

- Puta que pariu (disse ele), é sempre assim, marca uma hora e chega depois do combinado.

Já comecei a rir diante de uma queixa tola para aquele momento, pois a Topic estaria atrasada apenas dez minutos do combinado. Parecia até coisa de mulher.

Passam-se mais cinco minutos e nova queixa...

Notei que alguma coisa incomodava L e perguntei.

- Que foi L? São só quinze minutos!

Respondeu ele.

- É que estou com uma vontade de cagar!

Bem, tudo explicado então. E aí sugerimos, Eu e Tl.

- Vai até a padaria ali e resolve este caso!

Respondeu ele.

- Aquela merda! Eu já to olhando faz tempo e ela não abre a porta!

Rimos diante da situação, mas parecia que a coisa tava se complicando. Pensamos em algumas saídas e até falamos para ele cagar ali mesmo, atrás de alguma moita, pois os loucos das 05:00h éramos só nós mesmo. Claro que era uma brincadeira e ele também não levou a sério.

Mas chegou uma hora e o bicho pegou. Disse ele.

- Vou até minha casa e eu os espero lá!

Concordamos e demos o incentivo.

- Então vai correndo!

E lá vai o L, correndo até a casa dele as 05:20h da manhã. Começou correr na pracinha e a subir o escadão (como o chamamos), quando o perdemos de vista. Imaginei naquele momento o percurso que ele teria que percorrer até a sua casa e calculei com o Tl mais ou menos um quilometro. Pouco depois chegou a Topic com os outros integrantes da pescaria. Rimos todos um pouco da situação, mas nos encaminhamos até a casa dele para completar o time da pescaria. No caminho vinham as gozações do ocorrido e imaginamos.

- Pensou se a gente chega lá e ele ta de roupa trocada! (disse eu).

Logicamente somente dois ali saberiam se ele havia trocado a roupa. Fiquei quieto depois disso e pensei melhor.

- E se ele tiver mesmo trocado a roupa? Falo ou não? Será que o Tl falaria? Acho que não.

Após alguns minutos chegamos à casa do L, e ao vê-lo... Puta merda ele havia trocado de roupa, ou seja, ele havia cagado na calça.

Bem, se perde o amigo, mas não se perde a piada. Olhei para o Tl que ao que me parece não havia notado e disse.

- Puta que pariu L, você cagou na calça!

Risos em geral. O pessoal não sabia o que havia acontecido, mas riram.

Respondeu ele.

- Desde o escadão!

Mais risos ainda e imaginei um risco de mais ou menos 800mts de merda até a casa dele.

Aí começamos a viagem até uma praia da cidade de São Sebastião, local onde pegaríamos o barco.

A ida:

Mal sentei na Topic o pessoal já estava distribuindo um queijo de minas seco delicioso e por incrível que pareça com um copo de conhaque comunitário, oferecido pelo N e pelo S. E dá-lhe cerveja.

Eu fui só no queijo e num comprimidinho para o enjôo. Diziam eles que era bom, pois esta seria a minha primeira vez na pescaria em alto mar. Não acreditei muito que enjoaria, pois já havia mergulhado em alto mar várias vezes e nada havia acontecido, mas prevenção e caldo de galinha não faz mal a ninguém.

Chegamos na cidade de Caraguatatuba e fizemos uma parada. Foi quando mostrei meus apetrechos, a vara de bambu e a gravata para servi-los na pescaria. Muitos risos e muitas fotos sempre regado à cerveja.

Mais um pouco e chegaríamos ao barco.

Uma praia linda e limpa, apesar de ser porto para vários barcos. Deu vontade de ficar lá, mas o desafio me esperava. E tomando cerveja embarcamos.

Tudo lindo! Mar, céu e ar. Uma sensação de liberdade tomava a todos que estavam carecas de saber das condições do mar e do clima, pois meus amigos B e Tr já nos haviam noticiado durante a vinda por mais de vinte vezes. Era como se eles tivessem combinado com os peixes e o mar. Só meio metro de onda e os peixes estariam mais para o fundo, e já que seria assim tentaríamos um lugar melhor ainda. Tudo bem... Estávamos a caminho.

Quando começamos a embarcar um convite especial foi feito para o motorista da Topic.

- Vamos lá com a gente A. vai ficar aí fazendo o que?

Após relutar um pouco A aceitou o convite e se juntou a equipe do barco completando o número de doze elementos, que era o que o barco comportava.

Saber lá eu como descrever o barco que nos levou. Sei que tinha um comandante e um auxiliar e nas laterais só passava um de cada vez. Ele comportava doze pessoas mais os dois. A borda era mais ou menos de 50cm a 70cm de altura. Pensei eu.

- Bom, se eles estão acostumados a isso então é porque é seguro.

Em um instante começa a caminhada até o local da pescaria. Isso eram mais ou menos umas 12:00h, sol a pico o vento na cara, a turma toda já colocando calções e tirando a camiseta para aproveitar o tempo. Demoraria mais ou menos de três a quatro horas até chegarmos ao ponto combinado, então tínhamos que nos ocupar com algo. Logo... Tome cerveja.Depois de mais ou menos uma hora de cerveja e aditivos podia-se ouvir de S.

- Nasci no mar! Sou o homem do mar. E vocês me disseram que a gente passa mal em alto mar...

E o barco continuava a andar quando em determinado momento B me disse.

- É hora de dar uma descansada e tomar mais um comprimidinho para agüentar a noite e não passar mal.

Segui o conselho e fiz a mesma coisa mesmo tentado a continuar na empreitada dos outros amigos que continuavam na cervejada.

Fomos até o local onde ficavam as camas. Eram beliches e a parte de cima era tão apertada que um palmo acima do nariz já era o piso superior, mas pensei.

- Vai que algum morfético dormindo na cama de cima resolve vomitar e eu estou em baixo. Vou para a cama de cima.

Resolvido! Acomodei-me da maneira do possível e dormi. Foi o sono dos anjos. O som do motor do barco de fundo, a voz da rapaziada de longe, o balanço do barco, enfim... Esqueci do mundo naquelas três horas que se seguiram.

Acordei num silencio total. Abri os olhos e me deparei com a madeira a um palmo do meu nariz e pensei de imediato ainda naquela embriagues do sono.

- Puta que pariu! Enterraram-me vivo! To no caixão e me enterraram vivo! Caralho!

Pus a mão na madeira e comecei a ver que não estava tão escuro dentro do caixão, quando me dei conta.

- Cacete! To no barco da pescaria.

Foi um alívio, pois me sentia sem forças para cavar naquele momento. Dei um tempinho e comecei a me acostumar com o ambiente sem o som do barco. Fiquei por lá mais ou menos meia hora até resolver me levantar.

A pesca:

Subi as escadarias e vi que o tempo havia mudado. Uma chuvinha chata e um ventinho frio.  Logo de primeira me deparei com o S, deitado e coberto com uma capa de chuva todo vomitado. Pensei.

- Lá se foi o homem do mar... Ri um pouco e perguntei.

- Já deram alguma coisa pra ele tomar?

Responderam.

- Sim, umas três vezes e ele já botou tudo para fora.

- E agora? Perguntei.

Disseram.

- Vamos levar ele para baixo.

E assim foi feito. Lá foi o homem do mar com seu baldinho para a cama. Vira e mexe podia-se escutar os sons do S chamando o Hurgggggo. Credo! Eu que já tava meio mareado cada vez que ouvia aquilo pensava duas vezes antes de por alguma coisa na boca para comer ou beber. Pensava eu.

- Não quero ficar assim de jeito nenhum, então se não tiver o que vomitar, deste mal não vou passar.

Tomadas as providencias, voltei-me para perto de B que me disse.

- Essas varas aí são para você tomar conta!

- B! Não sei pescar nem com uma e você me dá três? Cadê a minha vara de Bambu?

Surpresa minha quando a vi com anzol e tudo do lado das outras três e ri. Bem, vou tentar.

Peguei um banquinho e me sentei travando com os meus joelhos na borda do barco a minha posição. Daquele jeito ficava seguro sem me mexer, pois o tempo estável e as ondas de meio metro começavam a se transformar. O B começou a me dar algumas dicas.

- Olha para a linha!

- Presta atenção na fisgada!

- Aqui atrás a gente ta cortando as sardinhas pra colocar como isca. Tem camarão também.

Pensei eu naquela hora em que vi os camarões.

- Devia ter ficado na praia com tudo isso de camarão e tomando cerveja.

Comecei a tentar pescar com ele havia me dito. Olhar a linha, barco balançando, o S Hurggggo, cansei e pensei.

-Preciso levantar e sair daqui. Vou servir o pessoal no barco. Detalhe! Eu já estava com a gravata.

Saí do local onde estava e perguntei ao pessoal vai cerveja aí? Alguns responderam e então comecei na função. Quando em uma das entregas passei perto do banheiro quando vi uma cena bizarra! A porta aberta com H sentado na privada com a bermuda arriada e, ao mesmo tempo, abraçado com a pia vomitando. O cara tava vomitando e cagando ao mesmo tempo e dizia.

- O que eu fiz meu Deus para merecer isso!

Claro que Deus não tinha nada a ver com aquilo, a gente é que tinha procurado sarna para se coçar. Ao mesmo tempo S, Hurggggo...

Voltei para o lugar onde estavam minhas (haha) varas e o B me disse.

- Vê aí que parece que eu vi mexendo.

- Caralho! Pensei eu, o cara ta com meia dúzia de varas e também ta olhando as minhas. Deve ser coisa de pescador.

Comecei a puxar uma das varas e senti que algo estava realmente impedindo a vinda da linha e me empolguei.

- Acho que tem alguma coisa aqui!

B respondeu.

- Vem trazendo com calma. Não tem pressa.

E assim foi. Vim trazendo até ver um chumaço de linhas embaralhadas. Viche!

- E agora? Disse.

- Vai desembaralhando, respondeu B. O metro de linha custa X, etc e tal e blablabla.

Era mais fácil montar aqueles quebra-cabeças de 5000 peças que desembaralhar aquilo.

-Puta merda! Pensei, mas já que ele tinha dito aquilo achei que era normal. Eu na minha posição travada na borda do barco tentava desembaralhar aquela merda. As ondas aumentavam e já não estava mais tão claro quando tinha conseguido diminuir em muito o chumaço de linhas até o ponto de não dar mais e disse.

- B! Não dá mais.

- Então corta este pedaço e amarra de novo o anzol na ponta. Respondeu.

Beleza! Minhas varas estavam desembaralhadas e novamente prontas para ir para a água, mas espere um pouco, quando eu jogar vai embaralhar tudo de novo! Merda, por que a deles não embramam, pensei. Bem, talvez porque naquela hora não tinha visto nada mais a não ser um chumaço de linhas na minha cara.

Bom, vamos nessa! Vou pegar a isca e... Cadê? O sobrinho de S, que estava pescando do nosso lado havia acabado com todas. Lá vou eu cortar as sardinhas e novamente colocá-las a disposição de todos que estavam por perto.

Alias, o sobrinho do S era o contra exemplo da pescaria. Enquanto a maioria estava mareada ou vomitando ele comia compulsivamente regado com muito refrigerante, sem parar. Aquilo até irritava.

Coloquei de volta as varas na água e mareado e com frio resolvi mudar de função e pensei, vou para a cozinha fazer o frango caipira que trouxeram para a janta. Informei ao pessoal e pedi a permissão para assumir a cozinha e fui para lá.

Cheguei até a cozinha e comecei a mexer nos ingredientes. Aquele cheiro, o balanço do barco, o espaço apertado...

- Preciso sair daqui senão vou vomitar! Pensei.

Informei de novo o pessoal e abortei a missão enquanto V a assumiu. Fui para baixo do barco, no dormitório para tentar descansar quando vi S com seu balde do lado. Fiquei impressionado com a quantidade de bílis que o ser humano produz naquele espaço de tempo. Comecei a ficar preocupado, pois ele continuava vomitando sem parar.

Deitei-me e comecei a melhorar, ufa! Fechei os olhos e até cochilei. Logo após de algum tempo acordei só com a luz da entrada. Notei que já era noite e me sentia bem.

Levantei-me e notei que não me sentia tão bem assim, ainda estava mareado, mas pensei.

- Pelo menos um peixinho vou ter que pegar!

Voltei para o frio e para a borda do barco. Engatei-me na posição e notei que muito no tempo havia mudado. As ondas de meio metro tinham crescido para três ou quatro metros.

- Caramba! Puta onda! Pensei. Mas o pessoal estava lá e já tinham pegado alguns peixes e também pareciam embalados no conhaque e na pescaria. Só daquele jeito mesmo para passar o frio. Entrei no embalo e comecei a enrolar uma das varas para colocar de novo a isca. Fiz isso rezando para não estar embaralhada e ufa! Uma não estava. Coloquei a isca e devolvi ao mar. Peguei a segunda e... Embaralhada com a terceira, merda! Só a de bambu mesmo não me dava trabalho, eu estava certo em trazê-la. Comecei a desembaralhar o novo chumaço quando B me alertou.

- Dá uma olhada que parece que vi tua vara mexer.

Deixei a função e comecei a recolher a primeira vara e não é que ele estava certo mesmo?

- Um peixe, haha! Já cumpri o que vim fazer! Peguei pelo menos um peixe, disse. Era pequeno perto dos que eu os via puxando, mas era um peixe. Deixei-o de lado.

Coloquei de volta a vara na água e voltei a desembaralhar as outras após o incentivo dos outros que diziam para eu continuar. Empolguei-me e comecei a desembaralhar as varas. Desta vez consegui e quando fui colocar as iscas. Cadê? O sobrinho do S novamente havia pegado. B vendo a situação me disse.

- Puta cara Folgado!

- Merda! Disse eu e novamente fui cortar as sardinhas enquanto o bacana ainda estava comendo e tomando refrigerante. Além de mim outros já estavam irritados com a situação, parecia o início de um complô contra o guri.

Já tinha se passado algum tempo quando ficou pronto o frango. V veio até nós e todo orgulhoso de feito do comandante do barco que acabou fazendo o frango que ele trouxe disse batendo em uma tampa.

- Franguinho na panela!

Escutamos em seguida.

- HURGGGGGO... O S de novo. O cara não tava bem mesmo, pensamos em até voltar, mas ele tinha alguns momentos em que brilhava uma esperança de melhora. Com certeza não foi nesta hora.

 Nesta altura do campeonato o dormitório já tinha pelo menos cinco, se não na mesma situação, próximos a ela. E eu ainda mareado.

Voltei-me a minha posição de pescador. As ondas agora estavam grandes e quando elas vinham parecia que elas iriam encobrir o barco e nos levantavam que até parecia que cairíamos de costas, tamanho o grau de inclinação.

- Viche! Pensava eu no silêncio dos pescadores travando os joelhos junto à borda do barco e... Então em cima da onda vinha a descida.

- Caralho! Pensava eu novamente entrando em um mergulho desesperador vendo a metade da vara entrando na água antes da próxima subida.

- Puta que pesca! Pensei eu...

Resolvi voltar para o dormitório quando aos murmúrios de outro descontente com o ladrão de iscas, ouvimos do L, que estava na cabine do comandante.

- B, sai de baixo que vou vomitar!

- Que é isso L, pare de brincadeira! Você já é velho nisso!

- É verdade B. Sai de baixo! Disse L.

Em um momento B saiu, não pelo pedido, mas para resolver o negócio da isca, vem o vomito de L, que caiu em cima logo do que? Do meu peixe que ainda estava ali.

- Puta que pariu! Sorte de principiante o cacete, mas deixa para lá, a situação tava feia mesmo, o negócio era ir para a cama. E assim foi. Antes da descida escutei do outro lado um estrondo. As ondas e o conhaque com cerveja derrubaram nosso amigo e pescador G. Foi risada para todo lado, um bom remédio antes de deitar. Já era por volta da 01:00h da manhã.

A partir deste momento conseguia ouvir o pessoal conversando no convés até o momento em que pescaram um pequeno tubarão. Mais ou menos de 80cm a um metro. Caramba que medo que deu. Se tiver um daquele tamanho devem ter outros, e nós lá! O B se apossou da varinha de bambu e começou a pegar as lulas que se aproximavam do barco quando os golfinhos ficavam mais perto. Diziam eles que os golfinhos se aproximavam quando o S (senhor dos mares) soltava o seu urro, Hurggggo... hehehe

Comecei a imaginar se o comandante tem um troço e a gente tem que levar o barco embora... Para onde, dentro daquela escuridão? Mesmo se fosse de dia estava todo mundo fudido! Deixei os pensamentos de lado e dormi.

À volta:

Quando abri os olhos já estava claro e o barco começava a funcionar, pensei.

- Vou agitar o churrasco agora! Com o barco em movimento passaria todo aquele mal estar. Dito e feito. Subi e comecei a acender a churrasqueira. Já eram 06:00h da manhã e sabe quem estava lá?

O S. Incrivelmente e surpreendentemente de pé e “vivo”! Pensei comigo.

- Se sou eu que passo uma noite daquelas acho que eu teria que ser internado para me recuperar. Ainda continha-nos ao fazer qualquer comentário sobre o que havia acontecido com ele, mas a surpresa era de todos que o viam de pé ali, sem traço algum do que tinha se passado.

Coloca um espetinho aqui, outro ali e o caminho de volta foi se fazendo como o de ida, com risos e conversas do que havia acontecido, e cerveja para a galera. O mal estar havia passado por completo, com apenas alguns cuidados com o senhor do mar, o S.

Ao chegarmos eu e B resolvemos aprontar uma pro pessoal que estava afoito para descer do barco. Quando toda a bagagem e o pessoal entraram no bote para ir até a praia nós dois saltamos do barco e molhamos quase tudo o que havia no bote. Rimos e nadamos o final do percurso até a praia, onde em um lugar pré-determinado tomamos um banho para tirar a uruca do corpo e, ainda acompanhei o S em um misto quente rejuvenescedor que o trouxe por completo de volta a vida.

Subimos na Topic e fomos até a cidade de Caraguatatuba onde paramos para completar o tanque e também o isopor de cerveja. Aproveitamos para tomar umas caipirinhas e ao entrar na Topic, alguns se entregaram ao sono e dormiram, o que não aconteceu comigo, B e Tr que voltamos tomando tudo o que havia sobrado da pescaria. Viche!  Chegamos em Bragança ou pelo menos me avisaram que já tinha chegado porque, de são consciência eu já não entendia mais nada naquela altura do campeonato.

Fui para casa e dormi até o dia seguinte. Ficaram as lembranças de uma das mais divertidas passagens de minha vida. Meus amigos não mentiram, era tudo verdade, muito peixe, muita cerveja, muita água e muita, mais muita risada, me diverti para caralho.

Um dia eu volto... Um dia.

Obrigado galera!

 

 
 

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